domingo, 23 de agosto de 2009

Sobre a outra margem...

" Sobre a outra margem irei esperar...
Não importa por quanto tempo.
Mas eu irei esperar.

Esperarei que venhas navegar
Em águas tranquilas.
Não importa o quanto,
Eu irei esperar.

Sobre a outra margem
Terei a esperança que finalmente
Poderei te examinar.
Percorrer meus dedos em seu rosto.
Repetindo o que fiz milhares de vezes
No silêncio...

Te desenhar.

Sobre a outra margem irei esperar
Que você se livre das desgraças de vidas passadas.
Que o passar dos anos te deixe mais leve.
Para que possas alcançar.
O outro lado da margem
Onde estou a te esperar.

Sobre a outra margem irei esperar
Seus dias felizes e tristes
O fim de toda essa distância.
Os segredos que não me foram compartilhados.
As palavras de amor que não me foram ditas
Os sonhos que não conheci.
Os abraços que tanto precisei.
Os sorrisos que não me deu.
Tudo o que perdi.

Do outro lado da margem
Te vejo navegar
Por entre brumas de agosto
Sempre longe de mim
Navegas em mares azuis
Como a imensidão de meus sonhos
Que sempre buscam a luz
Que seus olhos já jogaram em mim.

Mas o tempo, doce menino
A tudo transforma
E o mar nos separa
E os ventos nos distrai
E os céus nos ocupam
E as estrelas nos fascinam
E as flores nos enebriam
E a música nos completa.

Mas...
Ao dormir....
Nunca se esqueça...
Que...

Sobre a outra margem, irei esperar.
O tempo que quiser.
Ah sim! Irei esperar..."

PS: Feito em São Paulo, Zona Oeste, em uma noite de inverno, em um bar, ao som de James Blunt, em uma mesa com seis ou oito pessoas, alheio a tudo, num momento de ternura, em um guardanapo.

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