Não devia ser muito tarde. Provavelmente nem sete horas ainda eram. Mas parecia que faltavam apenas alguns minutos. A que horas devia passar por lá mesmo? Oito? Oito e meia? Não. Era pra passar as nove. Sabia muito bem. Mas a ansiedade não deixava em paz. Será que deveria trocar de camisa? Estava exibida demais? E se passasse uma idéia incorreta? A de que era metido demais? Intelectual demais? Ou fútil demais? Não. A camisa estava boa. Comprada em uma loja de renome, nem havia terminada de pagá-la ainda. Com certeza ela irá gostar. E o perfume? Pouco? Muito? Doce demais? Não. Estava bom também. Essa ansidade estava sufocando. O melhor seria sair um pouco. Caminhar. Ir por um caminho mais longo, para que o tempo ajudasse e passasse mais rápido. Mas e se, caminhando, algo desse errado? Se o aroma do perfume se dissipasse? Se acabasse se sujando? Veria TV. Droga. Nada de interessante passando. O nervosismo é tão grande, que nem uma revista conseguiria ver. O certo seria sair mesmo de casa. Talvez o agito da rua faça com que esqueça um pouco dos seus dilemas. Por mais que ande, suas pernas parecem fraquejar a cada passo. Seria nervosismo? E essa boca seca que incomoda tanto? E este barulho? Seria o tic-tac do relógio de pulso? Não, não. São apenas as batidas do coração. E se algo der errado? E se não for como espera? As horas não passam. Sentar em algum lugar seria uma boa opção. Comer? Não. Poderia causar uma má impressão. Beber algo? Também não. Falta pouco. Um, dois quarteirões no máximo. Nunca reparou de fato nesta rua. É impressão ou ela está mais bonita que antes? Parece que a cidade está diferente. Mais bonita que o usual. Que sufoco estranho é esse? Qual o número mesmo? 1640? Ou 1460? 1450... 1452... 1454... é aqui! 1460. Bater? Está pouco antes do horário previsto. Mas é melhor que ficar com essa angústia toda. O bater de suas mãos naquela massa de mogno foi o único som da cidade que ouviu. Como se tudo houvesse parado. Tudo estivesse morto.
Assim como, sua última lembrança fora da luz que irradiou de seus olhos.
As próximas horas foram mágicas demais para que lembrasse de algo.
No outro dia, acordou com uma dor de cabeça horrivel.
Provavelmente resultado das poucas horas de sono.
Que houve? Não se lembra...
Mas, apesar de tudo, da dor de cabeça imensa e da recém-adquirida-amnésia
Sentia-se bem. Não. Sentia-se maravilhoso. Enorme. Gigante. Poderoso. Forte.
Mesmo sem saber o porquê.
Não tem problema. De algo lembrava.
Lembrava-se apenas de quatro palavras...
"adorei ter te conhecido..."
domingo, 23 de agosto de 2009
Sobre a outra margem...
" Sobre a outra margem irei esperar...Não importa por quanto tempo.
Mas eu irei esperar.
Esperarei que venhas navegar
Em águas tranquilas.
Não importa o quanto,
Eu irei esperar.
Sobre a outra margem
Terei a esperança que finalmente
Poderei te examinar.
Percorrer meus dedos em seu rosto.
Repetindo o que fiz milhares de vezes
No silêncio...
Te desenhar.
Sobre a outra margem irei esperar
Que você se livre das desgraças de vidas passadas.
Que o passar dos anos te deixe mais leve.
Para que possas alcançar.
O outro lado da margem
Onde estou a te esperar.
Sobre a outra margem irei esperar
Seus dias felizes e tristes
O fim de toda essa distância.
Os segredos que não me foram compartilhados.
As palavras de amor que não me foram ditas
Os sonhos que não conheci.
Os abraços que tanto precisei.
Os sorrisos que não me deu.
Tudo o que perdi.
Do outro lado da margem
Te vejo navegar
Por entre brumas de agosto
Sempre longe de mim
Navegas em mares azuis
Como a imensidão de meus sonhos
Que sempre buscam a luz
Que seus olhos já jogaram em mim.
Mas o tempo, doce menino
A tudo transforma
E o mar nos separa
E os ventos nos distrai
E os céus nos ocupam
E as estrelas nos fascinam
E as flores nos enebriam
E a música nos completa.
Mas...
Ao dormir....
Nunca se esqueça...
Que...
Sobre a outra margem, irei esperar.
O tempo que quiser.
Ah sim! Irei esperar..."
PS: Feito em São Paulo, Zona Oeste, em uma noite de inverno, em um bar, ao som de James Blunt, em uma mesa com seis ou oito pessoas, alheio a tudo, num momento de ternura, em um guardanapo.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
"O mel do romance, tão doce
Nos envolve...
Através da grama selvagem
nós corremos, de braços dados,
apenas nós.
O mel do romance, nosso deleite.
E meus braços, te enlaçam docemente.
Somos só nós.
Seu encanto, tão raro
Minha vontade exposta
Nos braços, nós ousamos
Eu beijarei sua boca e seus olhos escuros
E me perderei em seus olhos escuros
Cairei direto até o fim de sua alma, sua mente,
seus céus.
Nossos membros entrelaçados
Eles vêm nossas mentes
E a esperança de nos encontrarmos
Os lábios vermelhos de sua boca me chamam
Sua mente é minha vontade
Sua carne minha natureza
Quente, macia, lisa, minha!
Eu necessito por nada
Sua mente acolhe meus pensamentos
Incorporando a escuridão,
tão perto,
entrelaçados
Nós andamos afastados para o nada
E ninguém encontrará...
Tendo apenas nossos braços,
dormiremos calmamente.
Eu a puxei para perto de mim, perto de mim, em mim."
Nos envolve...
Através da grama selvagem
nós corremos, de braços dados,
apenas nós.
O mel do romance, nosso deleite.
E meus braços, te enlaçam docemente.
Somos só nós.
Seu encanto, tão raro
Minha vontade exposta
Nos braços, nós ousamos
Eu beijarei sua boca e seus olhos escuros
E me perderei em seus olhos escuros
Cairei direto até o fim de sua alma, sua mente,
seus céus.
Nossos membros entrelaçados
Eles vêm nossas mentes
E a esperança de nos encontrarmos
Os lábios vermelhos de sua boca me chamam
Sua mente é minha vontade
Sua carne minha natureza
Quente, macia, lisa, minha!
Eu necessito por nada
Sua mente acolhe meus pensamentos
Incorporando a escuridão,
tão perto,
entrelaçados
Nós andamos afastados para o nada
E ninguém encontrará...
Tendo apenas nossos braços,
dormiremos calmamente.
Eu a puxei para perto de mim, perto de mim, em mim."
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
E se...

Neste final de semana, fui "forçado" a assistir a um filme "curioso".
"A máquina do tempo", com Guy Pearce.
Confesso que estava meio cético com este filme.
"puxa, filme meio antigo, não conseguiu receptividade nenhuma, nunca vi ninguém comentando sobre..."
Mas, vamos assistir.
E, pra minha surpresa, constatei que é um bom filme!
Conta a história de Alex, um professor universitário que, em uma fatalidade, acaba perdendo o grande amor de sua vida.
Nos quatro anos seguintes, Alex debruça-se sobre seus estudos para desenvolver aquilo que permeia o inconsciente de todos nós: "a Máquina do Tempo".
Seu intuito, era voltar e impedir a morte de sua amada. E ele consegue. Consegue fazê-la sobreviver. Porém, como Alex perceberia mais tarde, o curso da história não pode ser mudado. E esta passa a ser a primeira grande pergunta (mistério?) do filme:
"Por que, por mais que eu faça tudo diferente, não posso mudar o passado?"
Por que?
Passamos a primeira parte do filme com essa pergunta na cabeça. Por que?
Por que o passado é imutável?
Por que mesmo que eu faça apenas boas ações, sempre serei lembrado pelos erros passados?
Por que não conseguimos perdoar de verdade, com o coração, quem nos trai? Quem nos fere a confiança?
Por que os fantasmas da dúvida não vão embora? Por que insistem em nos procurar, mesmo quando tudo ficou tão pra trás?
Torcemos para Alex conseguir resolver seu dilema, pois nos enxergamos um pouco em Alex.
Todos somos como Alex: Dotados de boas intenções, mesmo acumulando erros pelo caminho.
Porém, com tantas desventuras, Alex acaba indo parar no futuro... 800 mil anos à frente.
Numa época onde a Lua não é mais a mesma e o ser humano está passando por uma horrivel evolução...
E então, surge a segunda grande pergunta do filme. Pergunta essa, que fará com que a vida de Alex mude por completo, deixando-nos mais perdidos ainda.
"E se...?"
Essas duas palavras regem o universo.
Podemos ser seguros de si, tomar as decisões mais práticas, indolores, comuns que, mesmo assim, ainda nos pegaremos pensando em como seria se tomássemos outras decisões...
E se... eu não estivesse aqui escrevendo?
E se... eu continuasse fumando?
E se... você me ligasse agora?
E se... aceitasse aquela xícara de café?
E se... não tivessemos perdido aquele jogo?
E se...
A vida de Alex mudou completamente com essa pergunta...
Inconscientemente, a de todos nós também...
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Considerações...
Há três horas atrás sentei aqui pra escrever...
Três horas.
Mas não consigo. Não consigo uma letra de música. Não consigo uma história antiga. Não consigo formular frases com mais de 20 palavras. Não consigo fechar os olhos e deixar que minha alma dite o que o coração quer dizer.
Coração...
Acho que vou levar uma vida inteira pra entender o meu. E, mesmo assim, talvez não consiga.
Não que ele seja rebelde, confuso ou coisa do tipo.
Na verdade, nem sei o que se passa com ele.
Gosto do que é obscuro. Dificil. Confuso. Me apego de maneira incondicional.
E, com isso, sofro.
Sofro demais. Todos os dias. De forma silenciosa, mas sofro.
Tanto que o pior momento do meu dia é quando encosto a cabeça ao travesseiro.
Um momento sufocante. De completa solidão.
Talvez por isso eu tenha ligado o dvd nessas últimas noites em que tentei dormir.....
Pra não prestar atenção em mim.
Quem prestaria atenção em mim?
"ei, não se preocupe... eu vou cuidar de você..."
"pra sempre?"
"pra todo o seu sempre..."
Pluft !
PS: Quase quatro horas.... só saiu essa "galhofada" ai acima..... vou jantar, mais tarde tento novamente....
Três horas.
Mas não consigo. Não consigo uma letra de música. Não consigo uma história antiga. Não consigo formular frases com mais de 20 palavras. Não consigo fechar os olhos e deixar que minha alma dite o que o coração quer dizer.
Coração...
Acho que vou levar uma vida inteira pra entender o meu. E, mesmo assim, talvez não consiga.
Não que ele seja rebelde, confuso ou coisa do tipo.
Na verdade, nem sei o que se passa com ele.
Gosto do que é obscuro. Dificil. Confuso. Me apego de maneira incondicional.
E, com isso, sofro.
Sofro demais. Todos os dias. De forma silenciosa, mas sofro.
Tanto que o pior momento do meu dia é quando encosto a cabeça ao travesseiro.
Um momento sufocante. De completa solidão.
Talvez por isso eu tenha ligado o dvd nessas últimas noites em que tentei dormir.....
Pra não prestar atenção em mim.
Quem prestaria atenção em mim?
"ei, não se preocupe... eu vou cuidar de você..."
"pra sempre?"
"pra todo o seu sempre..."
Pluft !
PS: Quase quatro horas.... só saiu essa "galhofada" ai acima..... vou jantar, mais tarde tento novamente....
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