domingo, 23 de agosto de 2009

Não devia ser muito tarde. Provavelmente nem sete horas ainda eram. Mas parecia que faltavam apenas alguns minutos. A que horas devia passar por lá mesmo? Oito? Oito e meia? Não. Era pra passar as nove. Sabia muito bem. Mas a ansiedade não deixava em paz. Será que deveria trocar de camisa? Estava exibida demais? E se passasse uma idéia incorreta? A de que era metido demais? Intelectual demais? Ou fútil demais? Não. A camisa estava boa. Comprada em uma loja de renome, nem havia terminada de pagá-la ainda. Com certeza ela irá gostar. E o perfume? Pouco? Muito? Doce demais? Não. Estava bom também. Essa ansidade estava sufocando. O melhor seria sair um pouco. Caminhar. Ir por um caminho mais longo, para que o tempo ajudasse e passasse mais rápido. Mas e se, caminhando, algo desse errado? Se o aroma do perfume se dissipasse? Se acabasse se sujando? Veria TV. Droga. Nada de interessante passando. O nervosismo é tão grande, que nem uma revista conseguiria ver. O certo seria sair mesmo de casa. Talvez o agito da rua faça com que esqueça um pouco dos seus dilemas. Por mais que ande, suas pernas parecem fraquejar a cada passo. Seria nervosismo? E essa boca seca que incomoda tanto? E este barulho? Seria o tic-tac do relógio de pulso? Não, não. São apenas as batidas do coração. E se algo der errado? E se não for como espera? As horas não passam. Sentar em algum lugar seria uma boa opção. Comer? Não. Poderia causar uma má impressão. Beber algo? Também não. Falta pouco. Um, dois quarteirões no máximo. Nunca reparou de fato nesta rua. É impressão ou ela está mais bonita que antes? Parece que a cidade está diferente. Mais bonita que o usual. Que sufoco estranho é esse? Qual o número mesmo? 1640? Ou 1460? 1450... 1452... 1454... é aqui! 1460. Bater? Está pouco antes do horário previsto. Mas é melhor que ficar com essa angústia toda. O bater de suas mãos naquela massa de mogno foi o único som da cidade que ouviu. Como se tudo houvesse parado. Tudo estivesse morto.
Assim como, sua última lembrança fora da luz que irradiou de seus olhos.

As próximas horas foram mágicas demais para que lembrasse de algo.

No outro dia, acordou com uma dor de cabeça horrivel.
Provavelmente resultado das poucas horas de sono.
Que houve? Não se lembra...
Mas, apesar de tudo, da dor de cabeça imensa e da recém-adquirida-amnésia
Sentia-se bem. Não. Sentia-se maravilhoso. Enorme. Gigante. Poderoso. Forte.
Mesmo sem saber o porquê.

Não tem problema. De algo lembrava.
Lembrava-se apenas de quatro palavras...

"adorei ter te conhecido..."

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